Catálogo de plantas alimentícias e medicinais, com nutrientes, benefícios estudados, uso tradicional e alertas de segurança — sempre com a fonte e o nível de evidência de cada informação.
Plantas no catálogo
ambos Alho — Allium sativumTempero universal com boa evidência de efeito sobre pressão arterial e perfil de colesterol quando usado regularmente. O mesmo composto que dá esse benefício (alicina, formada ao cortar/amassar o alho) também tem efeito antiplaquetário — por isso quem usa anticoagulantes ou vai passar por cirurgia deve ter atenção especial.
medicinal Aloe vera — Aloe veraPlanta suculenta com dois usos bem distintos que não devem ser confundidos: o gel, aplicado na pele, é geralmente bem tolerado; já o látex (a seiva amarela logo abaixo da casca da folha) e o extrato de folha inteira, tomados por via oral, têm problemas de segurança documentados — inclusive uma classificação de possível carcinógeno para o extrato de folha inteira não descolorido.
alimento Beterraba — Beta vulgarisRaiz rica em nitrato natural, que o corpo converte em óxido nítrico — substância que relaxa vasos sanguíneos. Isso sustenta um uso bem estudado em desempenho esportivo e pressão arterial. Contém oxalato, relevante para quem tem histórico de cálculo renal.
ambos Chá-verde — Camellia sinensisAs mesmas folhas que originam o chá preto, mas processadas sem fermentação, o que preserva catequinas antioxidantes (destaque para o EGCG). O consumo como bebida é considerado seguro para a maioria das pessoas, mas extratos concentrados de chá verde (cápsulas, suplementos) já foram associados a casos de lesão hepática grave — um risco bem diferente do chá tradicional.
alimento Mamão — Carica papayaFruta doce rica em vitamina C e folato, com boa quantidade de fibra — tradicionalmente associada à boa digestão pela enzima papaína. O mamão maduro é seguro para praticamente todo mundo, inclusive gestantes; já o mamão verde ou semimaduro tem mais papaína e látex, e deve ser evitado na gravidez.
ambos Canela-cássia — Cinnamomum cassiaALERTA DE IDENTIFICAÇÃO: o nome popular "canela" cobre duas espécies bem diferentes em termos de segurança. A canela mais vendida no Brasil (inclusive a maioria dos potes de "canela em pó" de supermercado) é a canela-cássia (Cinnamomum cassia/aromaticum, documentada nesta ficha), que contém bem mais cumarina — substância que pode prejudicar o fígado em uso diário e prolongado. A canela-do-ceilão (Cinnamomum verum, "true cinnamon") tem cumarina quase desprezível e é a opção mais segura para uso diário concentrado. Se a embalagem não especificar a espécie, é prudente tratá-la como cássia.
medicinal Óleo-de-copaíba — Copaifera spp.Óleo-resina extraído de árvores amazônicas do gênero Copaifera, usado há séculos por povos indígenas e ainda hoje popular no Brasil para cicatrização e inflamação. Estudos em laboratório sustentam a ação anti-inflamatória e cicatrizante, mas ensaios clínicos controlados em humanos ainda são escassos.
medicinal Cana-de-macaco — Costus spicatusPlanta de uso tradicional no Brasil, popularmente conhecida como "cana-de-macaco" ou "cana-do-brejo", usada há gerações como diurético e no tratamento caseiro de infecções urinárias. IMPORTANTE: o nome popular "cana-de-macaco" é ambíguo e pode se referir a mais de uma espécie do gênero Costus (ver "Também conhecida como" abaixo) — esta ficha documenta especificamente Costus spicatus, a espécie mais citada em produtos comerciais com esse nome. A evidência científica para os usos tradicionais ainda é preliminar.
ambos Turmeric — Curcuma longaEspeciaria de rizoma, também chamada de açafrão-da-terra, muito usada na culinária e, cada vez mais, como suplemento por causa da curcumina — um composto com efeito anti-inflamatório e antioxidante bem estudado, embora pouco absorvido pelo corpo quando consumido sozinho. Uso culinário é considerado seguro; suplementos concentrados de curcumina merecem mais cautela, sobretudo por quem usa anticoagulantes.
ambos Alcachofra — Cynara scolymusVegetal cujo botão floral é consumido como alimento, e cujas folhas são usadas em extrato para melhorar o perfil de colesterol e a função hepática. Tem boa evidência de meta-análises para redução de colesterol, mas por estimular a produção de bile é contraindicada em quem tem obstrução das vias biliares ou cálculos ativos.
ambos Funcho — Foeniculum vulgarePlanta aromática usada como tempero (bulbo e sementes) e, em chá, como digestivo tradicional. As sementes contêm compostos com atividade estrogênica (anetol, estragol), por isso o uso concentrado não é recomendado na gravidez, apesar de não haver evidência de efeito teratogênico direto.
alimento Alface-romana — Lactuca sativaAlimento de baixo valor calórico, composto majoritariamente por água, que fornece fibras e diversos micronutrientes — com destaque para vitamina K, vitamina A (carotenoides) e folato. O perfil nutricional varia bastante conforme a variedade (romana, crespa, americana etc.); os valores aqui referem-se à alface-romana.
ambos Maca-andina — Lepidium meyeniiRaiz cultivada nos Andes peruanos, tradicionalmente usada como alimento energético e, mais recentemente, popularizada como suplemento para libido e desempenho sexual. Alguns estudos em homens mostram melhora do desejo sexual após uso contínuo por dois meses ou mais. Contém compostos que podem interferir na tireoide em grandes quantidades na forma crua.
medicinal Camomila — Matricaria chamomillaUma das plantas medicinais mais consumidas no mundo, usada tradicionalmente como calmante e auxiliar do sono. Tem evidência clínica moderada para melhora leve de ansiedade e qualidade do sono. Por pertencer à família Asteraceae, pode causar reação alérgica em quem tem alergia a ambrósia e plantas relacionadas.
medicinal Erva-cidreira — Melissa officinalisUma das ervas calmantes mais consumidas no Brasil, com evidência clínica razoável para redução de ansiedade leve e melhora do sono, possivelmente por aumentar a atividade de GABA (neurotransmissor calmante) no cérebro. Atenção especial para quem tem hipotireoidismo, já que há indício de inibição do hormônio tireoidiano em estudo clínico.
ambos Menta — Mentha piperitaErva aromática com boa evidência para alívio de sintomas de síndrome do intestino irritável, por relaxar a musculatura do intestino. Esse mesmo mecanismo de relaxamento pode piorar refluxo/azia em quem tem DRGE, e o óleo essencial deve ser evitado em bebês.
medicinal Guaco — Mikania glomerataPlanta brasileira tradicionalmente usada para tosse, gripes e bronquite, com monografia aprovada pela Anvisa para uso como expectorante e broncodilatador — um dos poucos fitoterápicos deste atlas com reconhecimento regulatório formal no Brasil. Ainda assim, contraindicada em gestantes, lactantes e pessoas com distúrbios de coagulação.
ambos Acácia-branca — Moringa oleiferaÁrvore de folhas muito ricas em proteína, vitaminas e minerais, virou "superalimento" popular nos últimos anos. As folhas em pó são a parte segura e estudada; a raiz e a casca da raiz contêm compostos potencialmente tóxicos e NÃO devem ser consumidas, especialmente na gravidez.
alimento Banana — Musa spp.Fruta prática e nutritiva, boa fonte de potássio, carboidratos de digestão relativamente rápida e vitamina C. É um alimento seguro para praticamente toda a população, com poucas ressalvas relevantes (por exemplo, pessoas com doença renal avançada que precisam controlar potássio).
medicinal Boldo — Peumus boldusPlanta chilena muito consumida no Brasil em chá para problemas digestivos e biliares. Tem ação colerética (estimula a produção de bile) bem documentada tradicionalmente, mas as folhas contêm ascaridol, substância com potencial tóxico ao fígado — por isso o chá não deve ser usado por longos períodos nem por gestantes.
ambos Alecrim — Rosmarinus officinalisErva aromática usada na culinária e, tradicionalmente, como estimulante da memória e digestivo. Tem boa atividade antioxidante em laboratório. Quantidades de tempero são seguras, inclusive na gravidez; doses concentradas (extratos, óleo essencial ingerido) já não têm o mesmo perfil de segurança.
alimento Espinafre — Spinacia oleraceaFolhosa muito nutritiva, riquíssima em vitamina K, vitamina A e folato, e boa fonte de ferro vegetal. Por conter bastante vitamina K e oxalato, merece atenção de quem usa anticoagulantes ou tem tendência a cálculos renais.
toxica Confrei — Symphytum officinaleALERTA: o confrei foi popular por décadas como chá e em cataplasmas para "cicatrizar" ossos e feridas, mas contém alcaloides pirrolizidínicos que causam lesão hepática grave (doença veno-oclusiva) quando ingeridos — mesmo em quantidades que pareciam seguras no uso tradicional. Por isso, o uso interno (chá, cápsulas) é desaconselhado, e vários países restringem sua venda para uso interno. Esta ficha existe para alertar, não para recomendar uso.
ambos Oxicoco — Vaccinium macrocarponFruta vermelha ácida, popular como suplemento para prevenir infecções urinárias recorrentes. Os compostos ativos (proantocianidinas) dificultam a fixação de bactérias na parede da bexiga. A interação com anticoagulantes é um ponto de debate científico: relatos de caso existem, mas estudos controlados não confirmam a interação em quantidades usuais.
medicinal Ashwagandha — Withania somniferaPlanta usada há séculos na medicina ayurvédica indiana e hoje um dos "adaptógenos" mais populares no mercado de suplementos, associada a redução de estresse e melhora do sono. A pesquisa clínica recente é animadora, mas ainda limitada, e existem grupos que devem evitar o uso sem orientação médica — especialmente gestantes e pessoas com distúrbios de tireoide.
ambos Gengibre — Zingiber officinaleRizoma amplamente usado como tempero e, com boa evidência científica, para aliviar náusea — inclusive em gravidez e após cirurgias. Tem baixa toxicidade, mas alguns relatos de caso levantam cautela para quem usa anticoagulantes, mesmo que estudos controlados não tenham confirmado essa interação de forma consistente.